Exposição: Desigualdade
em cartaz, desde 1500.
Muita coisa faço no improviso
minha mente se perde meio a rotina.
Não que eu prefira bagunça
é que seguir as próprias vontades
têm sido inevitável, visceral.
Se virar nos 30 é meu maior talento
desde quando ainda tinha quinze
Dom? É ousadia o que eu tenho!
Dou maior atenção no meu planejamento
até encontrar uma metodologia
que se desenvolva na falta de tempo.
Que resista com pouco dinheiro
que sobreviva com tanta agonia
que se mantenha com pouco argumento
que raciocine enquanto sentir medo
que não endureça com o sofrimento.
Que nos devolva o pão de cada dia
que nos permita o restante do banquete
que nos conceda no resto dos dias
que nos reserve as sobras do tempo.
Eu ainda não aprendi fazer poesia
o que eu faço é rezar
toda vez que eu escrevo.
Sinto falta do tempo, do meu tempo
porque o progresso rouba nossas vidas
com filas, listas e documentos
consomem horas com deslocamento
comprometem nosso dia a dia no transporte
para percorrer a grande metrópole.
Aqui se ganha no mesmo lugar que se gasta
concentração em pontos específicos da cidade
empresas e vitrine do mesmo lado
população de rua para desvalorizar imóvel.
De um outro lado muito distante
uma porção de janelas acumuladas
fica bonito na fotografia
parece arte os barraco acumulado
é o cardápio de nível executivo
o prato feito servido pros favelado
enquanto cantam favela vence!
Isso não foi e não é um relato
isso não foi e não é uma poesia
o que pintei aqui foi um quadro
o nome dele é: Periferia.
Nina Barbosa
2021