De poesia pra poesia

 
Sim. Eu acredito sim que o empoderamento está no quadril. 
Contrapondo o que falo na poesia Travessuras. 
Acredito aliás que está na região do umbigo e do quadril. 
Ou seja, ventre e pelve. 

No ventre a energia vital. 
Onde se localiza o útero 
que gera o feto após a fecundação.
Onde fica o umbigo que recebemos alimento através do cordão umbilical durante a gestação.

E abaixo do umbigo 
a energia sexual
do desejo
da força 
para o prazer e a realização.

Acredito sim, 
que juntos formam o poder da criação. 
A força criativa para fecundar, gerar e parir. Gente. E outras coisas mais.

Outro dia. Entre 2019 e 2020. No sarau do vale, na casa de cultura hip Hop leste.
Eu assisti uma apresentação de dança do ventre que me deixou extremamente excitada. 
Minha vagina piscava, minha boca salivava, eu comecei a rir sozinha e meu ventre ficava cada vez mais quente.
Escrevi 3 poesias durante o evento e no caminho de casa.
Eu nunca mais esqueci aquela mulher que ativou meu chacra.

Sim. Empoderamento é quadril e bunda.
Mas rebolar para
sentar para
quicar para 
Tá longe de ser emancipação
é girar em torno do mesmo umbigo
desde que não seja o nosso.

Eu adoro dançar com a mão no joelho desde a época da dança da bundinha e da boquinha da garrafa. 

Mas vejo que na quebrada quebradeira das quebrantadas
quanto mais liberta na dança
mais presa em casa
O se arrumar ainda é para o marido
O rebolar ainda é pro cara
Se traição, vagabunda é a mina
O prazo de 3 meses não vale pros parça
E nossa dignidade continua consignada com unha feita do pé e a limpeza da casa.

Fazer agachamento me deixa renovada
concentrada na minha região do poder.
O sagrado feminino.

Mas, não fossem os livros, os debates, as teorias, a poesia
não saberia que não sou propriedade privada 
e não existo para servir outro alguém. 
Eu acredito sim, no poder da sentada
Se eu puder alcançar o orgasmo também.

Nina Barbosa 
05/02/23