Nunca foi Deus. Sempre foi o presidente

Nunca foi falta de sorte
foi por não votar direito
na esquerda
na garantia dos nossos direitos.

E da minha parte
nunca foi questão de querer
melhor, de não querer 
Ou falta de vontade
Estive viciada em muitas coisas
Desde o golpe de 2016.
Comer muito, beber muito 
Café, sal, pimenta.

Em querer, em planejar, em começar em desistir. 
Em ficar na brisa,
Papoula, álcool, Canabis, e tudo mais que pudesse me tirar dessa rotina.

Na tentativa desesperada de suprir uma vida sem gosto, sem prazer, sem felicidade. Sem emprego, sem comida, sem passeios, sem vacina.
Ansiedade. Enlouquece.

E se manter insatisfeita me causava depressão
E viver nesses extremos de tudo ou nada me deixava estressada, frustração.

Escrevi muito pra expressar essas sensações e nas sessões de terapia
Consciência, percepções e decepção.

Se tivesse comido o pão que o diabo amassou 
estaria farta
Mas nem isso tive direito.

Talvez um dia curse a tão sonhada sociologia 
Pra entender o bio-psico-social
Mas já posso garantir que o mercado de trabalho me colocou nessa condição.
E adoece a maioria da população
A arte foi a cura e não a falta de opção.

Ostentação pra mim
É casa limpa, geladeira cheia e as contas pagas
Passear com as crianças
E bancar minha própria balada.

Descobri no exame admissional
que minha pressão está alta
Meu sucesso é ler livros no busão
comida saudável e caminhada.

Me vi sem saída e recorri a religião
a gente explica com o divino
a politicagem que nos nega o pão. 

Cresci, através da escrita e da poesia
Mas somente com trabalho andarei de cabeça erguida.

Um cargo digno que me 
ofereça recursos e estrutura
viabilizar meus sonhos 
e sobreviver a essa vida dura.

30/08/22.




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