Uma esmola pelo amor de Deus
ALL night
Quero a noite
e um jardim cheio de grilos
com seus gritos coadjuvantes do luar.
Quero um céu pintado de estrelas
e a grama molhada de sereno
regada com cheiro de interior.
Quero a natureza fresca
borboletas pretas com detalhe em azul
preciso desse oxigênio gelado
seu medo sombrio, assombrado.
Quero o frio e os cantos sinistros
dos insetos, dos animais.
Quero a tranquilidade da noite
na porta de um bar
um copo cheio no balcão
e um filtro vermelho, aceso, na mão.
Ambos, de visita, à boca e à mesa, revezando.
Quero atenção dos rapazes
e distância dos covardes.
Quero meu mundo preto e cinza
com esmalte bordô.
Estive perdida no tempo
agora danço com o vento
e não quero mais voltar.
Sim, eu sei rezar
aprendi sem querer
quando ainda era criança.
Antes de se possuir
com o prazer da dança
antes de conhecer cemitérios
botecos, cachoeiras, andanças
campus-faculdade, entre outros carnavais.
Este último, nunca fui,
apesar de amar festas e curtição
apesar de acreditar no poder dos rituais
tenho preguiça de seguir tradição
até admiro manifestações culturais
até a praia desperta meu ódio
em passeios temporais.
Sou mais a vontade excêntrica que o prazer programado pelos calendários comerciais.
Sou medíocre, mas nem tanto assim.
Viagem e lazer é requinte e escolha
não combina com filas e banheiros entupidos por falta de água ocasionada pelo turismo.
Em que adiantaria
ter tempo
e entregá-lo ao desperdício
ao tédio e ao vazio.
O ócio criativo
é mais um estado de espírito
que o tempo cronológico
propriamente dito.
Eu sigo, sem ter opção.
Nina Barbosa
23/01/2021