Posso até chegar por último

 Mas não aceito ser mulher do sapo


O tempo hoje está nublado

vocês viram?

Não se vê um pedaço sequer 

do que têm por debaixo dessas nuvens

cinzas

Ainda bem que você e eu

sabemos

Ah sabemos!

Sabemos bem o que existe e resiste.


"Por trás dessas nuvens

uma dúzia de manhãs

planejam se levantar"

Seja bem vinda ao texto Dinha Maria!


"Aliás, fugir pra onde?

Está dentro de mim!"


Profetizei esse encontro em outra poesia

que escrevi sob um céu azul, azulzinho, pintado pela mão de alguma criança

a mesma que pintou as asas das borboletas.

O mesmo que ontem estava sobre nossas cabeças no caminho de oito que virou dezoito minutos.

Difícil resistir o caminhar das nuvens 

lento, se estiver andando

rápido, se resolver parar pra olhar

o ritmo, as formas

na mesma direção, como quem atende um chamado

Tem chuva na nuvem mamãe, entendeu?!

Disse João

E "eu fico com a pureza das respostas das crianças"

Chega arrepiar!

Ele viu o homem aranha e um dinossauro

Eu só consegui ver um tatu bola, forçando bem

Até a lua ficou para admirar o espetáculo 

e a presença do sol observando tudo de longe com seu palpite quente

não a intimidou.


Estou aqui

me abrindo debaixo desse céu encoberto

tranquila e paciente

não estou à espera de um milagre

aguardo um outro dia

aproveitando esse da melhor forma

escrevendo, no momento.


"Por trás dessas nuvens

uma dúzia de manhãs

planejam se levantar"


E eu busco meu lugar por trás desse raio de sol que pretende iluminar alguma outra manhã.

Ou quem sabe,

contraria a previsão e põe a cara pra fora ainda hoje, mais tarde.

Assim como eu, mais tarde.


Nina Barbosa

02/09/2021