Engula o luxo da minha melancolia

Se acaso me quiseres...
Sou dessas mulheres 
que vive em desgraça.
Para mim, nada cai do céu.
E para quem cai? Quem cai?
Eu caí. E da última vez demorei levantar. Ira 
O que é de graça? O que vem fácil?
Nem a miséria. Que existe às custas de muito suor de um povo. E não vai fácil não.
Nunca nem se foi, nem sei se vai.
Nem pedi, nem aceitei e tenho pra dar e vender e inclusive para ser tema de poesia.
Receio que se um dia fartar grana pode faltar alma, sobrar gana e eu nem lembrar que um dia escrevi isso aqui.
Mas quem liga? Não pode faltar comida!
Eu ligo!
Eu que já chorei de fome com a barriga cheia e já me senti satisfeita com a panela vazia.

O incrível é que tamanha relutância e resistência não foram o suficiente para afastar e manter longe de mim, a fé.
Coisa que gente como eu gosta mesmo 
é de ter fé.
Sou uma miserável e desgraçada 
com muita fé que serei sempre assim.
Mas não quero falar de coisa ruim.
Aprendi não perder a esperança
descobri o poder da vingança
e ainda sim prefiro perdoar. Sou nobre!
E tenho muito orgulho disso.
Ai quanta vaidade 
habita hoje no meu coração.
Perdoem eu ser tão pecadora
E saibam 
Que nem sempre fui assim.

Nina Barbosa
16/06/2020.