Presente!

 Recuso investir tempo pra falar de flores se o único jardim que puder almejar for o do Éden. 

Poderei ainda querer, me importar, com um vaso se a única terra que me aguarda é a que será jogada em cima do meu corpo prestes a descer sete palmos abaixo do chão.

É luxo pensar na morte sem ter sequer um caixão.

Quantas incertezas aflingem o pensamento e dificultam a vida enquanto a morte é a única verdade absoluta que conhecemos.

E quanto mais se vive, mais ainda se aproxima desse fim. Sem data, sem hora marcada, como andar de olhos vendados ao abismo.

Vivemos a pensar no futuro que sequer irá existir. Que aliás, pode e/ou deve ser esse agora.


Nina Barbosa
16/06/2020.
















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