Não quis pensar em um nome

Vai passar!
A quantidade de roupas para lavar vai diminuir
nem que seja com eletrodomésticos
e os pacotes de fralda vão desaparecer da lista de compras. 
À salvo, os convites de chá de bebê.
As mamadeiras noturnas
as trocas
o sono picado
vai acabar.
Ele está crescendo e outras demandas virão.
O cansaço físico será substituído por intensas tensões psicológicas e eu?
Tô suave!
Pensa que meu maior desgaste nessa pandemia são as crianças em casa?
Têm sido minha alegria!
Nos unimos, brincamos, cozinhamos.
O que parece loucura se tornou minha fortaleza.
As aulas, já sabia que não daria conta e as poucas vezes que conseguimos parar para estudar foram momentos riquíssimos que vai ficar na lembrança.

O desconforto que evito pensar
é o que será de nós quando tudo acabar?
O auxílio tem prazo final, os preços altos não
preciso de um emprego e as escolas, as ceis continuam fechadas.
Fim de ano tá aí, dia das crianças.
Maria Joana tem planos para outubro e eu também. Vários. Plano A, B, C, D, E até R de renda, renda, renda. O que fazer?
Esperar! E não se render ao stresse.
Tenho a certeza que não voto no Bolsonaro. E essa vacina, que chegue logo. Mas gostaria de entender de política o suficiente para saber se inventam doenças para lucrar com a cura. Se for, os automóveis que ouvem as notícias sabem, mas não publicam pra vender mais matéria de jornal com números, números, números.

A loucura, o stress do relógio, dos compromissos, a falta de tempo com as crianças. Evaporou. Juntou-se com o ar que evitamos com as máscaras.
Os milhares de estabelecimentos que desejavam nossos bolsos, desistiram de esperar em vão nossa presença e fecharam as portas.

Aqui,
os gritos quase zeraram e nós? 
Nos curtimos.
Mesmo sem poder estudar, aprendi uma lição até agora: 
O isolamento e o distanciamento é um desafio para treinar a viver o agora.
Tipo:
E agora? Literalmente!
Vejo e sinto
a ansiedade controlada em mim como não via há muito tempo.
Porque quando não se sabe se haverá amanhã, pensar nele é perca de tempo. Pausei o medo e na hora do ok, vou retirar esse filme, minha autodefesa.
Preciso de estabilidade emocional e se fosse dar um nome pra esse texto agora seria: Proteção.
Para agarrar com força, a única certeza que se tem em mãos. O hoje.

Nina Barbosa
25/08/2020.















































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