Independência ou morte

Matei!
Matei mesmo
e tenho orgulho de dizer
mataria de novo
mato, se preciso for
aquela pessoa não merecia viver.
Aliás, estava morta há tempos.
Suicídio? E o que ela fez comigo?
Aquele ser não era eu
jamais me entregaria aos porcos
ou me juntaria aos patos.
Como ela fez
Jamais me contentaria com farelos,
lavagem
cerebral, é o que parecia ter.
Sem gosto, sem voz, sem história
sem querer. Ela ficou no passado.

Sou mulher de opinião
forte, influenciadora, multiplicadora.
E ela? Não sabia disso.
Nunca sequer parou pra se ouvir,
pra se ver.
Às vezes, me adorno
e enfeitar cama, mesa e estante
são lugares que evito ocupar.
Que não gostei de ocupar
que não planejei ocupar
Não combina comigo!
E na parede da memória
essa lembrança me dói
mas não será um quadro
enfeitando minha parede.

Minha dor é perceber
que apesar de ter feito de tudo para resistir
me deixei convencer
e aceitei
deixar de ser
deixar de ser eu mesma
para ter alguém
que nunca tive de fato.

Hoje, pelo bem desse país
que não é nação
eu não fico!
Mais
em segundo plano.

Nina Barbosa
07/2020

































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