Poeminha da ilusão
Da série: fique rico ou morra tentando
"Desilusão, desilusão
danço eu, dança você
a dança da solidão"
danço eu, dança você
a dança da solidão"
Cadê a carne do prato
José
que insiste em comer
que compensa na cama
que aprendeu consumir.
Várias notas em uma noite
de macho, cumpre seu papel
na rua
gasta mais do que põe em casa
pra durar um mês
e suprir várias bocas, várias cabeças.
Deveria ser o provedor te cobram
sem lhe oferecer condições para
sem meios, no final
compensa o ego ferido,
ferindo quem o ama.
Seus dependentes.
E sustenta sim. A ideia
de dois tipos de mulher, a de casa
e a da rua, a qual só ele (pensa que) lucra.
Mas ele usa o bônus desse ônus
e usufrui dos privilégios patriarcais
machista por conveniência
na renda discursa sobre desigualdade social
nos direitos nega as diferenças
e promove violência.
Mira, no olho da companheira
todo o fracasso despejado em seus ombros
tentando fugir da realidade.
Ser o pegador te é vendido
como receita de poder e liberdade.
Bebida é água
comida é pasto
Status do dia: -oprime quem deveria cuidar-
e a família mantém como refém
de um sequestro sem resgate.
Sua meta: virar o opressor pra amenizar a dor!
Você tem sede de quê?
Você tem fome de quê?
carro, prata, whisky, mansão
sua linha de chegada
Queria ser o rei do gado
por enquanto
É o rei do baile
É o bam bam bam da esquina
e em casa
come na mão da mulher
enquanto a faz de mãe e empregada.
"Feio, esperto e com cara de mau"
ele é o corre
não entendeu o que falou Racionais
e corre pra se manter na condição de marginal.
O estado te controla
o capital te consome
Ora não sabe
Ora não assume
"Alô como vai como é que é"
E agora José
corre José
ou acorda José?
Nina Barbosa
2017