Diários
Diário de guerra
querido diário, fazer de você um relatório registrando quantos morreram, quantas matei, ou até mesmo explicitar o meu medo de morrer a cada segundo que passa, a cada respiro, não é meu real objetivo.
porém como em toda guerra venho cheia de intenções e a principal aqui é abrir, expor, meus sentimentos, como as feridas espalhadas pelo meu corpo, como as fraturas aqui expostas. em mim.
durante o confronto, o que mais me fez falta foi de poder ser e conviver com a minha pessoa, foi de vestir minha personalidade. e sentia, sinto ainda, um profundo e gostoso desejo de estar só, de ficar só. sem armadura, sem brasão.
ter meu espaço, privacidade, estar em contato com minhas coisas, fazer o que gosto, ouvir só o que eu quero, o que me faz bem, me ouvir, me ver por completo e ser eu de forma integral. nunca senti tanto minha falta. nunca desejei tanto um lugar, meu lugar, minha casa, meu lar.
aconteceu assim enquanto estive nula, enquanto estive fora. fora do ar. fora da casinha. longe de casa há mais de uma semana durante muitos e muitos anos. e acontece ainda.
finalizo esse trecho com uma fotografia: eu de uniforme rasgado, sujo, muito sujo, cheio de sangue denunciando os machucados estampados na pele por debaixo dos buracos.
Feliz: por estar de volta.