Reexistência
No cárcere.
Invisível-
mente coagida
junta os cacos - quem sou eu?
recolhe vestígios - quem é ela?
Na janela, singela, favela
sofrida, vivida, banida.
Criada e mantida no anonimato
do lar doce lar - presídio
no privado da vida, excluída
privada em si, de si, de nós.
De cima do muro ela sai
vai lutar, vai pra rua tentar
tá na farra? Tá na mira
pra manter a moral e
os bons costumes da família.
Sabe bem
o que é se virar nos trinta.
Ela dança e segura a criança
Ela dança e segura a criança
Ela dança e segura a criança
Ela dança e segura a criança.
Submundo controlado, seu corpo
submundo abusado, seu sexo
espera um contato imediato
alheio às regras do patriarcado.
Porque não explorar?
desejos, sonhos, vontades
esperar? Até quando?
A plebe? ajuda? De quem?
Um adeus ao silêncio
basta de sofrimento
lamentos jogados pro alto
vem vento, vem me levar.
Leva toda a sujeira
dessa vida sujeita
sem eira, sem beira
sob a luz da sorte
beira a morte
sobrevive de pó-
esia! Quem dera!
Tira a poeira da estante
puxa debaixo do tapete
mostra a cara. põe na tela
levanta, solta a voz
kkk kkk
pra quem tenta calar.
Calada da noite intimida
reage e aprende se virar
indiferente a luz do dia
medo? Mero detalhe
pra quem busca alforria.
Altas doses de sadismo
fluxo gera refluxo
expressa que nem vomito
o machismo a baixo custo.
O expresso da leste
vai cheião, vai lotado
fica ainda mais fácil
os ome assediar.
Tá tranquilo? Tá favorável!
Pra falar, pra denunciar
declamo predicados
o qual luto pra transformar
minha vida de Maria
não é sina.
Eu decido meu caminho
sou senhora do meu destino.
Nina Barbosa
Invisível-
mente coagida
junta os cacos - quem sou eu?
recolhe vestígios - quem é ela?
Na janela, singela, favela
sofrida, vivida, banida.
Criada e mantida no anonimato
do lar doce lar - presídio
no privado da vida, excluída
privada em si, de si, de nós.
De cima do muro ela sai
vai lutar, vai pra rua tentar
tá na farra? Tá na mira
pra manter a moral e
os bons costumes da família.
Sabe bem
o que é se virar nos trinta.
Ela dança e segura a criança
Ela dança e segura a criança
Ela dança e segura a criança
Ela dança e segura a criança.
Submundo controlado, seu corpo
submundo abusado, seu sexo
espera um contato imediato
alheio às regras do patriarcado.
Porque não explorar?
desejos, sonhos, vontades
esperar? Até quando?
A plebe? ajuda? De quem?
Um adeus ao silêncio
basta de sofrimento
lamentos jogados pro alto
vem vento, vem me levar.
Leva toda a sujeira
dessa vida sujeita
sem eira, sem beira
sob a luz da sorte
beira a morte
sobrevive de pó-
esia! Quem dera!
Tira a poeira da estante
puxa debaixo do tapete
mostra a cara. põe na tela
levanta, solta a voz
kkk kkk
pra quem tenta calar.
Calada da noite intimida
reage e aprende se virar
indiferente a luz do dia
medo? Mero detalhe
pra quem busca alforria.
Altas doses de sadismo
fluxo gera refluxo
expressa que nem vomito
o machismo a baixo custo.
O expresso da leste
vai cheião, vai lotado
fica ainda mais fácil
os ome assediar.
Tá tranquilo? Tá favorável!
Pra falar, pra denunciar
declamo predicados
o qual luto pra transformar
minha vida de Maria
não é sina.
Eu decido meu caminho
sou senhora do meu destino.
Nina Barbosa
2015